10 de junho de 2010

REDONDILHAS de Luís de Camões

Índice



A

A alma que está of’recida
A dor que minh'alma sente
Ai de mi
Ai de mim, mas de vós ai,
Amaria eu, Gil amigo
Amores de ûa casada
Amor loco, amor loco
Amor, que todos ofende
Amor que viu minha dor
A morte, pois que sou vosso
Ana quisestes que fosse
Apartaram-se os meus olhos
Aquela cativa

C

Campos bemaventurados
Carta minha tão ditosa
Caterina bem promete
Cinco galinhas e meia
Coifa de beirame
Como quer que tendes vida
Com razão queixar-me posso
Com vossos olhos Gonçalvesconde, cujo ilustre peito
Corre sem vela e sem leme

D

Da doença em que ardeis
D’alma e de quanto tiver
Dama d’estranho primor
De atormentado e perdido
De dentro tengo mi mal
De pequena tomei Amor
De que me serve fugir
Descalça vai pera a fonte
Descalça vai pola neve
Deu, Senhora, por sentença
Deus te salve, Vasco amigo
De vós quererdes meu mal
De vuestros ojos centelhas
Do la mi ventura
Duas que o diabo leve

E

Em tudo vejo mudanças
Enforquei minha esperança
Esconjuro-te, Domingas
Esperanças mal tomadas
Esses alfinetes vão
Este mundo es el camino

F

Falso cavaleiro ingrato
Ferro, fogo, frio e calma
Foi-se gastando a esperança

G

Gaurdai-me esses olhos belos

H

Há um bem que chega e foge

I

Irme quiero, madre

J

Já eu vi o taberneiro
Já não posso ser contente
Justa fué mi perdición

L

Lágrimas dirão por mim
Logo lhe vi mui mau jeito
Lume desta vida

M

Macho, sim, mas macho de andas
Mandastes-me pedir novas
Mas porém a que cuidados
Minh’alma, lembrai-vos dela
Minina dos olhos verdes
Minina fermosa
Minina fermosa e crua
Minina, não sei dizer
Moscas, abelhas e zangãos
Muito sou meu inimigo

N

Na fonte está Lianor
Não estejais agravada
Não posso chegar ao cabo
Não sei se me engana Helena
Não sei se por ser do Porto
Nasce estrela d’alva
No meu peito o meu desejo
No monte de Amor andei
Nos livros doutos se trata

O

Ojos, herido me habiéis
Olhai que dura senteça
Olhos em que estão mil flores
Olhos, não vos mereci
Ó meus altos pensamentos
Ora cuidar me assegura
Os bons vi sempre passar

P

Para evitar dias maus
Para homem tão honrado
Pastora da serra
Peço-vos que me digais
Pequenos contentamentos
Pera que me dán tormento
Perdigão perdeu a pena
Perguntais-me quem me mata
Pois a tantas perdições
Pois me faz dano olhar-vos
Pois que, Senhora, folgais
Por uns olhos que fugiram
Porque no miras, Giraldo
Por usar costume antigo
Prazeres, que me quereis?
Pus meus olhos nũa funda
Pus o coração nos olhos

Q

Qual terá culpa de nós?
Quando me que enganar
Que diabo há tão danado
Quem disser que a barca pende
Quem no mundo quiser ser
Quem ora soubesse
Quem se confia em olhos
Querendo escrever um dia
Qué veré que me contente
Que vistes, meus olhos?

R

Retrato, vós não sois meu

S

Saüdade minha
Se alma ver-se não pode
Se de meu mal me contento
Se derivais de verdade
Se Helena apartar
Se me desta terra for
Se me levam águas
Sem olhos vi o mal claro
Sem ventura é por demais
Sem vós e com meu cuidado [1]
Sem vós e com meu cuidado [2]
Se n’alma e no pensamento
Se não quereis padecer
Senhora, pois me chamais
Senhora, quando imagino
Senhora, se eu alcançasse
S’espero, sei que me engano
Se vossa dama vos dá
Sois fermosa e tudo tendes
Sois ũa dama
Suspeitas, que me quereis?

T

Tal estói después que os vi
Tende-me mão nele
Todo es poco lo posible
Trabalhos descansariam
Triste vida se me ordena
Trocai o cuidado
Tudo pode ũa afeição

V

Vai o bem fugindo
Vede bem se nos meus dias
Vejo-a n’alma pintada
Venceu-me Amor, não o nego
Verdes são as hortas
Verdes são os campos
Ver e mais guardar
Vi chorar uns claros olhos
Vida da minh’alma
Vós, Senhora, tudo tendes
Vos tenéis mi corazón
Vossa Senhoria creia
Vosso bem-querer, Senhora

SONETOS de Luís de Camões

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A

Alegres campos, verdes arvoredos,
Alma minha gentil, que te partiste
Amor co a esperança já perdida,
Amor é um fogo que arde sem se ver,
Apartava-se Nise de Montano,
Apolo e as nove Musas, discantando
Aquela que, de pura castidade,
Aquela triste e leda madrugada,
Árvore, cujo pomo belo e brando

B

Brandas águas do Tejo que, passando

C

Cá nesta Babilónia, donde mana
Cara minha inimiga, em cuja mão
Com o generoso rostro alanceado
“Como fizeste, Pórcia, tal ferida?
Como podes, ó cego pecador,
Como quando do mar tempestuoso
Correm turvas as águas deste rio,
Crecei, desejo meu, pois que a Ventura

D

Dai-me uã lei, Senhora, de querer-vos,
Debaixo desta pedra está metido,
Dece do Céu imenso, Deus benino,
Ditoso seja aquele que somente
Ditosas almas, que ambas juntamente
Dizei, Senhora, da Beleza ideia,
Doces águas e claras do Mondego,
Dos Céus à terra dece a mór beleza

E

Em fermosa Leteia se confia,
Em flor vos arrancou d'então crescida
Em prisões baixas fui um tempo atado,
Enquanto Febo os montes acendia
Erros meus, má fortuna, amor ardente
Esforço grande, igual ao pensamento;
Está-se a Primavera trasladando
Está o lascivo e doce passarinho

F

Ferido sem ter cura perecia
Fiou-se o coração de muito isento

G

Grão tempo há já que soube da Ventura

I

Ilustre e dino ramo dos Meneses

J

Julga-me a gente toda por perdido

L

Lembranças saudosas, se cuidais
Lindo e sutil trançado, que ficaste

M

N

Náiades, vós que os rios habitais
Na metade do Céu subido ardia
Na ribeira do Eufrates assentado,
No mundo, poucos anos e cansados
Num bosque que das Ninfas se habitava,

O

O céu, a terra, o vento sossegado;
O cisne, quando sente ser chegada
O dia em que eu naci moura e pereça,
Ó gloriosa cruz, ó vitorioso
O raio cristalino se estendia
Oh! como se me alonga, de ano em ano
Orfeu enamorado que tañia
Os reinos e os impérios poderosos,
Os vestidos Elisa revolvia

P

Para se namorar do que criou
Pelos extremos raros que mostrou
Pensamentos, que agora novamente
Por cima destas águas, forte e firme,
Porque quereis, Senhora, que ofereça
Porque a tamanhas penas se oferece
Presença bela, angélica figura,

Q

“Que levas, cruel Morte?” – “Um claro dia.”
Quando da bela vista e doce riso
Quando de minhas mágoas a comprida
Quando o sol encoberto vai mostrando
Quando vejo que meu destino ordena
Quantas vezes do fuso se esquecia
Que me quereis, perpétuas saudades?
Que modo tão sutil da Natureza
Que poderei do mundo já querer,
Que vençais no Oriente tantos reis
Quem jaz no grão sepulcro, que descreve
Quem pode livre ser, gentil Senhora
Quem quiser ver d'Amor uã excelência
Quem vê, Senhora, claro e manifesto

R

Razão é já que minha confiança

S

Se a Fortuna inquieta e mal olhada
Se alguã hora em vós a piedade
Se despois de esperança tão perdida
Sempre, cruel Senhora, receei
Senhor João Lopes, o meu baixo estado
Senhora já desta alma, perdoai
Se aos capitães antigos colocados
Se pena por amar-vos se merece
Se tanta pena tenho merecida
Sete anos de pastor Jacob servia

T

Tanto de meu estado me acho incerto
Todas as almas tristes se mostravam
Tomava Deliana por vingança
Tornai essa brancura à alva açucena,
Tu que descanso buscas com cuidado

U

Um mover d’olhos, brando e piadoso,

V

Verdade, Amor, Razão, Merecimento
Vencido está de Amor meu pensamento
Vós, Ninfas da gangética espessura