18 de junho de 2017

Busto de Camões, em Toronto


Busto de Camões, em Toronto


Homenagem ao poeta na 
"Luís de Camões Way", 8.06.2017, evento inserido nas 
celebrações da Semana de Portugal em Toronto.
Fonte: Revista AmarToronto / Canadá.






13 de junho de 2017

Camões, poema de Miguel Torga

CAMÕES

Nem tenho versos, cedro desmedido,
Da pequena floresta portuguesa!
Nem tenho versos, de tão comovido
Que fico a olhar de longe tal grandeza. 

Quem te pode cantar, depois do Canto
Que deste à pátria, que to não merece?
O sol da inspiração que acendo e que levanto,
Chega aos teus pés e como que arrefece.

Chamar-te génio é justo, mas é pouco.
Chamar-te herói, é dar-te um só poder.
Poeta dum império que era louco,
Foste louco a cantar e a louco a combater.

Sirva, pois, de poema este respeito
Que te devo e professo,
Única nau do sonho insatisfeito
Que não teve regresso!

Miguel Torga
In Poemas ibéricos, 1965.



MIGUEL TORGA
Pseudónimo de Adolfo Correia da Rocha.
Nasceu a 12.08.1907, em São Martinho de Anta, Vila Real e
faleceu a 17.01.1995, em Coimbra. 
Médico, colaborou na revista presença e foi diretor das revistas Sinal e Manifesto.




Miguel Torga foi galardoado com o Prémio Luís de Camões, em 1989.



Camões, 1999, serigrafia por João Cutileiro



"Camões", por  João Cutileiro
Serigrafia, 29x20cm, 1999.


11 de junho de 2017

O poeta, poema celebrativo de Luís de Camões, por Carlos Drummond de Andrade

O POETA


Este, de sua vida e sua cruz
Uma canção eterna solta aos ares,
Luís de ouro vazando intensa luz
Por sobre as ondas altas dos vocábulos.


Carlos Drummond de Andrade

In: Colóquio/Letras, Lisboa, n.º 55 (maio 1980), p. 47.











FALA APÓCRIFA DE CAMÕES, soneto de David Mourão-Ferreira


FALA APÓCRIFA DE CAMÕES


É inútil buscarem o meu signo
procurarem-me em ruas ou retratos
sequer em grutas gritos manuscritos
muito menos em fósseis ou em falsas

pistas que de meus ossos não existem
É inútil julgarem-me comparsa
de quem quer que julgou viver comigo
já que em lugar algum terei passado

comigo mais que um prazo muito exíguo
mais ambíguo aliás e mais escasso
que o vivido com Bembo ou com Virgílio

com Petrarca Ariosto ou Garcilaso
Só estes os contei por meus amigos
E só de astros que tais rompe o meu rasto


David Mourão-Ferreira


In “No veio do cristal”, parte de Obra poética: 1948-1988.
Lisboa: Presença, 1988, p. 397.






CAMÕES E A TENÇA, poema por Sophia

CAMÕES E A TENÇA


Irás ao Paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou seu ser inteiramente

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto

Irás ao Paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência

Este país te mata lentamente



Sophia de Mello Breyner Andresen

In: Dual [VI – Em Memória]. Lisboa: Moraes, 1972; reprod. em
Obra Poética III. Lisboa: Caminho, 1991, p. 162.


Fotografada por Fernando Lemos, no jardim 
da casa da Travessa das Mónicas (bairro da Graça, Lisboa), anos 50.


A CAMÕES, COMPARANDO COM OS DELE OS SEUS PRÓPRIOS INFORTÚNIOS, soneto de Bocage




A CAMÕES, COMPARANDO COM OS DELE OS SEUS PRÓPRIOS INFORTÚNIOS



Camões, grande Camões, quão semelhante
Acho teu fado ao meu, quando os cotejo!
Igual causa nos fez perdendo o Tejo
Arrostar co sacrílego gigante:

Como tu, junto ao Ganges sussurrante,
Da penúria cruel no horror me vejo;
Como tu, gostos vãos, que em vão desejo,
Também carpindo estou, saudoso amante:

Ludíbrio, como tu, da sorte dura,
Meu fim demando ao Céu, pela certeza
De que só terei paz na sepultura:

Modelo meu tu és... Mas, oh tristeza!...
Se te imito nos transes da ventura,
Não te imito nos dons da natureza.

Bocage
In: Sonetos4.ª ed., Mem Martins: Europa-América, 1999, p. 101.







A Camões, poema-homenagem por Manuel Bandeira

A CAMÕES



Quando n’alma pesar de tua raça
a névoa da apagada e vil tristeza,
busque ela sempre a glória que não passa,
em teu poema de heroísmo e de beleza.


Gênio purificado na desgraça,
tu resumiste em ti toda a grandeza:
poeta e soldado... Em ti brilhou sem jaça
o amor da grande pátria portuguesa.

E enquanto o fero canto ecoar na mente
da estirpe que em perigos sublimados
plantou a cruz em cada continente,

não morrerá sem poetas nem soldados
a língua em que cantaste rudemente
as armas e os barões assinalados.

Manuel Bandeira

In A cinza das horas. Rio de Janeiro, 1917.

   Manuel Bandeira (1886-1968)
nasceu no Recife em 1886 e faleceu no Rio de Janeiro, em 1968.
Foi crítico literário e de arte, tradutor, professor de literatura e escritor. 
Autor, entre outros, dos livros de poesia A cinza das horas (1917) e Libertinagem (1930).

10 de junho de 2017

Prémio Luís de Camões – O prémio da literatura mundial em português




[...] Interessados no enriquecimento e prestígio da língua comum e do respectivo património literário;
Desejosos de, pela instituição do Prémio Luís de Camões, manifestarem publicamente, todos os anos, o apreço e a homenagem da comunidade a um escritor que, pela sua obra, tenha contribuído para o engrandecimento e projeção da literatura em português;

Convictos de que o Prémio Luís de Camões deve reforçar o seu estatuto de galardão literário da comunidade de língua portuguesa e que a sua atribuição deverá contribuir para uma plena consagração do autor, dentro e fora da referida comunidade;

Conscientes da importância de estreitar e desenvolver os laços culturais entre toda a comunidade lusófona pela crescente associação a este evento de outros Estados de língua oficial portuguesa [...]
Protocolo Modificativo do
Protocolo Que Institui o Prémio Camões,
assinado em Lisboa
em 17 de abril de 1999.



O Poeta Luís de Camões (1524-1580)
por François Gérard

A coroa de louros do escritor lusófono

O Prémio Luís de Camões é o maior “galardão literário da comunidade de língua portuguesa”. Contempla anualmente autores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e a comissão julgadora é composta por representantes do Brasil, de Portugal e dos países africanos de língua oficial portuguesa (PALOP). A história do prémio remonta a 1988, contando já com 29 laureados.

Na sequência do “Acordo Cultural entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil”, de 7 de setembro de 1966, é assinado em 1988 o “Protocolo Adicional” a esse acordo (publicado no Decreto n.º 43/88, de 30 de novembro) que cria o Prémio Luís de Camões (PLC), assinado em Brasília em 22 de junho de 1988.

O Prémio foi atribuído pela primeira vez, em 1989, ao escritor português Miguel Torga e conforme o texto do protocolo constituinte, consagra anualmente “um autor de língua portuguesa que, pelo valor intrínseco da sua obra, tenha contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua comum”.

Em 1999, é ainda aprovado um “novo texto” através do “Protocolo Modificativo do Protocolo Que Institui o Prémio Camões”  (publicado no Decreto n.º 47/99, Diário da República, 5.11.1999. Fica, assim, revogado o anterior Protocolo que institui o Prémio Camões). Neste acordo cultural entre os governos português e brasileiro (seguido de protocolo adicional e protocolo modificativo) ambas as partes estão atualmente representadas, respectivamente, pela Direção Geral do Livro, dos Arquivos e das bibliotecas (DGLAB) / Secretaria de Estado da Cultura (Portugal), e pela Fundação Biblioteca Nacional / MinC (Brasil).

O Prémio Camões é de 100 mil euros, desde 2001 [até 1999 este Prémio era de 10 milhões de escudos , o equivalente a 50 mil euros], metade financiado pelo governo português, outra metade pelo governo brasileiro.

A história do prémio apenas registou uma recusa, em 2016, a do autor de Luuanda (1963), Luandino Vieira.


Lista dos escritores laureados


2017

Manuel Alegre (n. 1936 -. Portugal)
Rio de Janeiro, 2017
Júri: José Luís Jobim, José Luís Tavares, Leyla Perrone-Moisés, Lourenço do Rosário, Maria João Reynaud, Paula Morão.

2016


Raduan Nassar (n. 1935-. Brasil)
Lisboa, 2016
Júri: Flora Sussekind, Inocência Mata, Lourenço do Rosário, Paula Morão, Pedro Mexia, Sérgio Alcides do Amaral.

2015


Hélia Correia (n. 1949-. Portugal)
Rio de Janeiro, 2015
Júri: Affonso Romano de Sant’Anna, António Carlos Secchin, Inocência Mata, Mia Couto, Pedro Mexia, Rita Marnoto.

2014


Alberto da Costa Silva (n. 1931-. Brasil)
Lisboa, 2014
Júri: Affonso Romano de Sant’Anna, António Carlos Secchin, José Carlos de Vasconcelos, José Eduardo Agualusa, Mia Couto, Rita Marnoto.

2013


Mia Couto (n. 1955. Moçambique)
Rio de Janeiro, 2013
Júri: Alberto da Costa e Silva, Alcir Pécora, Clara Rocha, João Paulo Borges Coelho, José Carlos de Vasconcelos, José Eduardo Agualusa.

2012

Dalton Trevisan (n. 1925-. Brasil)
Lisboa, 2012
Júri: Abel Barros Baptista, Alcir Pécora, Ana Paula Tavares, João Paulo Borges Coelho, Rosa Maria Martelo, Silviano Santiago.

2011


Manuel António Pina (1943-2012. Portugal)
Rio de Janeiro, 2011
Júri: Abel Barros Baptista, Ana Paula Tavares, António Carlos Secchin, Edla van Steen, Inocência Mata, Rosa Maria Martelo.

2010


Ferreira Gullar (1930-2016. Brasil)
Lisboa, 2010
Júri: António Carlos Secchin, Edla van Steen, Helena Buescu, Inocência Mata, José Carlos Seabra Pereira, Luís Carlos Patraquim.

2009

Arménio Vieira (n. 1941-. Cabo Verde)
Rio de Janeiro, 2009
Júri: Corsino Fortes, Helena Buescu, José Carlos Seabra Pereira, Luís Carlos Patraquim, Marco Lucchesi, Ruy Espinheira Filho.

2008


João Ubaldo Ribeiro (1941-2014. Brasil)
Lisboa, 2008
Júri: Corsino Fortes, João Mello, Marco Lucchesi, Maria de Fátima Marinho, Maria Lúcia Lepecki, Ruy Espinheira Filho.

2007


António Lobo Antunes (n. 1942-. Portugal)
Rio de Janeiro, 2007
Júri: Domício Proença Filho, Fernando Martinho, Francisco Noa, João Mello, Letícia Malard, Maria de Fátima Marinho.

2006


José Luandino Vieira (n. 1935-. Portugal/Angola)
Lisboa, 2006
Júri: Evanildo Bechara, Francisco Noa, Ivan Junqueira, José Eduardo Agualusa, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa Luís, Paula Morão.
Prémio recusado pelo autor.

2005


Lygia Fagundes Telles (n. 1923-. Brasil)
Rio de Janeiro, 2005
Júri: António Carlos Secchin, Germano de Almeida, Ivan Junqueira, José Eduardo Agualusa, Maria Agustina Ferreira Teixeira Bessa Luís, Vasco Graça Moura.

2004


Agustina Bessa-Luís (n. 1922-. Portugal)
Lisboa, 2004
Júri: Eduardo Prado Coelho, Germano de Almeida, Heloísa Buarque de Holanda, Lourenço do Rosário, Vasco Graça Moura, Zuenir Ventura.

2003


Ruben Fonseca (n. 1925-. Brasil)
Rio de Janeiro, 2003
Júri: Eduardo Prado Coelho, Heloísa Buarque de Holanda, Lourenço do Rosário, Maria Isabel da Silva Pires de Lima, Pepetela, Zuenir Ventura.

2002


Maria Velho da Costa (n. 1938-.Portugal)
Lisboa, 2001
Júri: Alberto da Costa e Silva, Alfredo Bosi, Isabel Allegro de Magalhães, José João Craveirinha, Maria Isabel da Silva Pires de Lima, Pepetela.

2001


Eugénio de Andrade (1923-2005. Portugal)
Rio de Janeiro, 2001
Júri: Alberto da Costa e Silva, Carlos Heitor Cony, Dionysio de Oliveira Toledo, Isabel Allegro de Magalhães, José Manuel Mendes, Maria Irene Ramalho de Sousa Santos.

2000


Autran Dourado (1926-2012. Brasil)
Lisboa, 2000
Júri: César Leal, José Manuel Mendes, Maria Alzira Seixo, Maria Irene Ramalho de Sousa Santos, Mário Chamie, Silviano Santiago.

1999

Sophia de Mello Breyner Andresen (1919-2004. Portugal)
Salvador, 1999Júri: António Alfredo Alçada Baptista, Elmer C. Corrêa Barbosa, Lella Perrone Moises, Luiz Costa Lima, Maria Alzira Seixo, Maria Irene Ramalho de Sousa Santos.

1998

Lisboa, 1998
Júri: António Alfredo Alçada Baptista, Eduardo Portella, Fábio Lucas, Fernando J. B. Martinho, Maria Alzira Seixo; Moacyr Scliar.

1997


Pepetela (n. 1941-.Angola)
Lisboa, 1997
Júri: António Alfredo Alçada Baptista, Carlos Nejar, Eduardo Portella, Fernando J. B. Martinho, Nelida Piñon, Óscar Luso de Freitas Lopes.

1996


Eduardo Lourenço (n. 1923-. Portugal)
Rio de Janeiro, 1996
Júri: Afonso Romano de Sant’Anna, Carlos Reis, Cleonice Berardinelli, Eduardo Portella, Maria Idalina Cobra Pereira Resina Rodrigues, Urbano Tavares Rodrigues.

1995


José Saramago (1922-2010. Portugal)
Lisboa, 1995
Júri: Afonso Romano de Sant’Anna, António Torres, Carlos Reis, Márcio de Souza, Maria Idalina Cobra Pereira Resina Rodrigues, Urbano Tavares Rodrigues.

1994


Jorge Amado (1912-2001. Brasil)
Rio de Janeiro, 1994
Júri: Afonso Romano de Sant'Anna, Carlos Reis, Cleonice Berardinelli, João Ubaldo Ribeiro, Maria Idalina Cobra Pereira Resina Rodrigues, Urbano Tavares Rodrigues.

1993

Rachel Queiroz (1910-2003. Brasil)
Lisboa, 1993
Júri: Arnaldo Niskier, Carlos Reis, Fernando Guimarães, João Escatimburgo, Maria Idalina Cobra Pereira Resina Rodrigues, Óscar Dias Correia.

1992


Vergílio Ferreira (1916-1996. Portugal)
Rio de Janeiro, 1992
Júri: Aníbal Pinto de Castro, Cleonice Berardinelli, Fernando Cristovão, Ivo de Castro, Jorge Fernandes da Silveira, Márcio de Souza.

1991


José [João] Craveirinha (1922-2003. Moçambique)
Lisboa, 1991
Júri: Afonso Romano de Sant’Anna, Arnaldo Saraiva, David Mourão Ferreira, Jorge Fernandes da Silveira, Luís Augusto de Sampaio Forjaz de Ricaldes Trigueiros, Márcio de Souza.

1990

João Cabral de Melo Neto (1920-1999. Brasil)
Rio de Janeiro, 1990
Júri: Afrânio Coutinho, António Houaisse, Eduardo Lourenço, Herberto Salles, Maria de Lourdes Belchior Pontes, Vítor Manuel Pires de Aguiar e Silva.

1989

Miguel Torga (1907-1995. Portugal)
Lisboa, 1989
Júri: Afrânio Coutinho, António Houaisse, Eduardo Lourenço, Herberto Salles, Maria de Lourdes Belchior Pontes, Vítor Manuel Pires de Aguiar e Silva.



Referências


  •  Prémio Camões, in site da DGLB.
  • Prémio Camões, in Wikipédia.
  • Prêmio Camões de Literatura, in Biblioteca Nacional brasileira.
  • Caça ao tesouro – Prémios Camões, in CVC do Instituto Camões.
  • Os 29 autores distinguidos com o Prémio Camões, in SICnotícias [digital], 8.06.2017.
  •  Acordo Cultural entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil, 7 de setembro de 1966.
  • Decreto n.º 43/88, Diário da República, 30.11.1988. – Contém em anexo o texto original do “Protocolo Adicional ao Acordo Cultural entre o Governo da República Portuguesa e o Governo da República Federativa do Brasil Que cria o Prémio Luís de Camões”. – Nota: O “Acordo Cultural...” é de e setembro de 1966, em Portugal; o “Protocolo Adicional...” foi assinado a 22 de junho de 1988, em Brasília, mas é publicado no decreto a 30 de novembro.
  • Decreto n.º 47/99, Diário da República, n.º 258, 5.11.1999. – Contém em anexo o texto original do “Protocolo Modificativo do Protocolo Que Institui o Prémio Camões”, assinado em Lisboa em 17 de abril de 1999.