VIDA

Programa da RTP (2002) de Maria Júlia Fernandes.


Retrato do poeta, c. 1573/5,
por Fernão Gomes (1548-1612)



Luís Vaz de Camões terá nascido em Lisboa, cerca de 1524, e faleceu na mesma cidade, a 10 de junho de 1580.

Poeta, épico e lírico, dramaturgo e epistológrafo.
Camões é um dos maiores poetas do mundo, em língua portuguesa e de todos os tempos.



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Filho de Simão Vaz de Camões e de Ana de Sá Macedo, Luís de Camões terá ido para Coimbra, onde o tio, D. Bento, prior do Mosteiro de Santa Cruz e cancelário da Universidade, o terá orientado na sua educação. 


Ainda jovem (provavelmente entre 1547-1549), terá estado como militar em Ceuta, no norte de África, onde a bala da arma de um mouro lhe varou um dos olhos (numa carta, antes da sua partida para a Índia, refere-se a este facto, bem como na canção “Lembrança da longa saudade”).

Em Lisboa terá levado uma vida de estroinice, tendo sido preso na cadeia do Tronco da cidade por ter brigado, ele e outros companheiros seus, com um servidor do paço. É perdoado por D. João III em 1553, partindo então para o Oriente.

Retrato do poeta pintado em Goa, 1581.
Viveu durante dezassete anos no Oriente. Terá participado, em novembro de 1553, numa expedição à costa do Malabar e, entre fevereiro e outubro de 1555, terá sido incorporado no cruzeiro ao estreito de Meca, efetuado pela armada de Manuel de Vasconcelos. Do período na Índia, conhece-se uma ode laudatória, “Aquele único exemplo”, dedicada a Garcia de Orta (que aparece nos Colóquios dos Simples e Dro­gas, Goa, 1563) e o Auto de Filodemo, peça teatral que foi levada à cena em Goa, durante os festejos que celebraram o assumir do cargo de governador da Índia por Francisco Barreto, a 16 de junho de 1555.


Depois das duas expedições, à costa do Malabar e no estreito de Meca, Luís de Camões passou um período em Macau. Naufragaria nas costas do Camboja (a­tual Vietname) conseguindo salvar o manuscrito d' Os Lu­síadas (cf. Canto X, 128).

Provavelmente em 1556, Camões foi desobrigado do serviço militar, tendo depois aceitado o desempenho de funções públicas.

Cerca de 1568, parte rumo a Moçambique, onde Diogo do Couto o encontra vivendo em grande penúria (COUTO: 1786, Década IX, cap. 20). Aí, passava então o tempo a aperfeiçoar a sua epopeia e a escrever o Parnaso de Luís de Ca­mões, livro que lhe terá sido furtado. Couto e outros amigos do poeta pagam-lhe as dívi­das e a viagem, para que este regresse ao Reino natal.


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Luís de Camões e os amigos viajantes arribam ao porto de Cascais na primavera de 1570 (COUTO: 1786, Década VIII, cap. 28).

Os Lusíadas, 1572
Um ano depois, a 24 de setembro de 1571, Camões obteve do rei D. Sebastião o alvará que autorizava a impressão de Os Lusíadas durante dez anos. De facto, em 1572, o seu livro é impresso pela primeira vez, em Lisboa.


A 28 de ju­lho de 1572, o rei concede a Luís de Camões uma tença anual de 15000 réis, pelos serviços prestados na Índia e provavelmente para o compensar pela publicação da epopeia lusa. Mesmo após a morte do poeta, a 10 de Junho de 1580, em Lisboa, a sua mãe continuará a beneficiar desta tença, por ordem de Filipe II de Espanha.

Para além de Os Lusíadas (1572) e de três composições poéticas publicadas avulsamente (a ode dedicada a Garcia de Orta – “Aquele único exemplo”, 1563; a elegia “Depois que Magalhães teve tecida” e o soneto «Vós ninfas da gan­gética espessura”, 1576), as edições que conhecemos da obra do poeta são todas edições póstumas.

Filodemo, teatro.
A obra dramática de Camões, Anfitriões e Auto de Filodemo, aparece-nos integrada na coletânea Primeira parte dos autos e comédias portuguesas (Lisboa, 1587), embora se saiba que o segundo texto, o auto, foi levado à cena em Goa, em 1555. 
Rimas, 1595 (obra póstuma)
A autoria da comédia El Rei Seleuco tem sido atribuída a Camões e este texto dramático foi publicado pela primeira vez em acréscimo à edição das Rimas: primeira parte, reeditadas em Lisboa por Paulo Craesbeeck, em 1645.
A primeira edição da lírica camoniana, integrando os seus sonetos mas igualmente outros géneros líricos,  surge em Ri­mas (Lisboa, 1595), obra póstuma composta a partir de cancioneiros manuscritos.


A fortuna crítica da obra de Luís de Camões é imensa e os seus poemas estão traduzidos em muitas línguas do mundo.


A 10 de junho, comemora-se o Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Portuguesas.

Camões lendo Os Lusíadas (1925), por António Carneiro.